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Literatura e doença
LITERATURA E DOENÇA
Por Coletivo Leitor - 01 abr 2020 - 6 min
Compartilm dos efeitos imprevistos da atual pandemia do coronavírus, além dos prejuízos que acarretou ao mercado editorial, como o cancelamento de lançamentos de livros, salões e feiras literárias e os esvaziamento das livrarias, foi trazer de volta às listas dos mais vendidos obras como A peste, do escritor franco-argelino Albert Camus. Publicado originalmente em 1947, o romance transforma a cidade de Orã, assolada pela peste, numa espécie de alegoria da ocupação nazista da Europa, trauma que ainda permanecia vivo na memória dos leitores de então.
No entanto, a tematização da epidemia, seja em chave mais realista ou mais simbólica, frequenta a literatura desde muito antes. Ela serve, por exemplo, de moldura narrativa para o Decameron, do italiano Giovanni Bocaccio, em cujo início se lê:
Compartilhe:Um dos efeitos imprevistos da atual pandemia do coronavírus, além dos prejuízos que acarretou ao mercado editorial, como o cancelamento de lançamentos de livros, salões e feiras literárias e os esvaziamento das livrarias, foi trazer de volta às listas dos mais vendidos obras como A peste, do escritor franco-argelino Albert Camus. Publicado originalmente em 1947, o romance transforma a cidade de Orã, assolada pela peste, numa espécie de alegoria da ocupação nazista da Europa, trauma que ainda permanecia vivo na memória dos leitores de então.
No entanto, a tematização da epidemia, seja em chave mais realista ou mais simbólica, frequenta a literatura desde muito antes. Ela serve, por exemplo, de moldura narrativa para o Decameron, do italiano Giovanni Bocaccio, em cujo início se lê:
“… os anos da frutífera encarnação do Filho de Deus já havia chegado ao número 1348 quando na insigne cidade de Florença, a mais bela de todas da Itália, ocorreu uma peste mortífera, que – fosse ela fruto da ação dos corpos celestes, fosse ela enviada aos mortais pela justa ira de Deus para correção de nossas obras iníquas – começara alguns anos antes no lado oriental, ceifando a vida de incontável número de pessoas, e, sem se deter, continuou avançando de um lugar a outro em direção ao ocidente.”(Giovanni Bocaccio. Decameron. Tradução de Ivone C. Benedetti. Porto Alegre, L&PM, 20113, 1ª ed.)
Mas muitos outros títulos poderiam ser chamados a compor a nossa lista, vindos de tempos ainda mais remotos, como a tragédia de Sófocles, Édipo Rei, herói cujos crimes não expiados – o parricídio e o incesto – trazem a peste para Tebas. Vale também evocar o romance menos conhecido do inglês Daniel Defoe, Um diário do ano da peste, publicado em 1719; a primorosa novela do alemão Thomas Mann, Morte em Veneza, sobre a epidemia de cólera em Veneza, publicado originalmente em 1912, ou O amor nos tempos do cólera, do colombiano Gabriel García Marques, lançado em 1985, para ficarmos em apenas alguns exemplos.
Compartilhe:Um dos efeitos imprevistos da atual pandemia do coronavírus, além dos prejuízos que acarretou ao mercado editorial, como o cancelamento de lançamentos de livros, salões e feiras literárias e os esvaziamento das livrarias, foi trazer de volta às listas dos mais vendidos obras como A peste, do escritor franco-argelino Albert Camus. Publicado originalmente em 1947, o romance transforma a cidade de Orã, assolada pela peste, numa espécie de alegoria da ocupação nazista da Europa, trauma que ainda permanecia vivo na memória dos leitores de então.
No entanto, a tematização da epidemia, seja em chave mais realista ou mais simbólica, frequenta a literatura desde muito antes. Ela serve, por exemplo, de moldura narrativa para o Decameron, do italiano Giovanni Bocaccio, em cujo início se lê:
“… os anos da frutífera encarnação do Filho de Deus já havia chegado ao número 1348 quando na insigne cidade de Florença, a mais bela de todas da Itália, ocorreu uma peste mortífera, que – fosse ela fruto da ação dos corpos celestes, fosse ela enviada aos mortais pela justa ira de Deus para correção de nossas obras iníquas – começara alguns anos antes no lado oriental, ceifando a vida de incontável número de pessoas, e, sem se deter, continuou avançando de um lugar a outro em direção ao ocidente.”(Giovanni Bocaccio. Decameron. Tradução de Ivone C. Benedetti. Porto Alegre, L&PM, 20113, 1ª ed.)
Mas muitos outros títulos poderiam ser chamados a compor a nossa lista, vindos de tempos ainda mais remotos, como a tragédia de Sófocles, Édipo Rei, herói cujos crimes não expiados – o parricídio e o incesto – trazem a peste para Tebas. Vale também evocar o romance menos conhecido do inglês Daniel Defoe, Um diário do ano da peste, publicado em 1719; a primorosa novela do alemão Thomas Mann, Morte em Veneza, sobre a epidemia de cólera em Veneza, publicado originalmente em 1912, ou O amor nos tempos do cólera, do colombiano Gabriel García Marques, lançado em 1985, para ficarmos em apenas alguns exemplos.
Se passamos das epidemias em sentido estrito ao campo mais vasto das doenças e a literatura, o rol de obras se avoluma consideravelmente, chegando mesmo a influenciar certos estilos de época (o que seria a poesia romântica sem a tuberculose?).
Mas o que buscam os leitores nessas obras cujas páginas se abrem ao vírus e à bactéria, ao verme e ao carbúnculo? O consolo de entender como outros, antes de nós, padeceram de modo semelhante, sucumbindo ou sobrevivendo, desistindo de lutar ou legando aos pósteros o testemunho de seus esforços e de sua esperança?
Neste momento em que, por causa do confinamento, a literatura é receitada como distração ou remédio contra o tédio, principalmente para as crianças confinadas, afastadas do cotidiano escolar, para leitores mais velhos, o benefício da literatura talvez derive tanto do seu potencial de “evasão” da realidade quanto do contato que ela propicia com seus aspectos mais sombrios.
Nesse sentido, obras que tematizam a doença na literatura, os padecimentos, a morte e o luto revestem-se de grande importância justamente por nos desalienar diante do que consideramos as condições “normais” de existência, e que muitas vezes nos afastam de aspectos decisivos da experiência humana. Situações que suspendem a suposta “normalidade” das coisas, a qual pode não passar de uma ilusão consentida, podem até mesmo nos despertar para o que há de opressivo em uma vida que nunca sai dos trilhos.
Romper com os hábitos perceptivos, impelir a sensibilidade noutras direções pode ser, assim, um dos benefícios da literatura (até quando ela própria se converte em uma “doença”, o bovarismo, como bem demonstrou Gustave Flaubert).
Além disso, mesmo para leitores menores, a tematização da doença na literatura para desmistificar certa concepção edênica da infância, segundo a qual os tumultos do corpo e do mundo deveriam guardar certa distância das páginas oferecidas a esse público.
No entanto, sob o pretexto de oferecer o que se julga mais apropriado aos leitores, conforme a idade, o temperamento e as circunstâncias, muitas vezes se perde a oportunidade de estabelecer relações fecundas entre o que se lê o que se vive, ou de levar o leitor à descoberta da própria literatura como uma experiência viva, capaz de elevar a temperatura de quem dela usufrui, fonte de uma febre benigna que nos imuniza contra a desumanidade.
LIVROS SOBRE LITERATURA E DOENÇA
A seguir, conheça algumas obras (informativos e livros de ficção) do nosso catálogo sobre literatura, doença, peste e epidemia.
Ao contrário do que se costuma dizer, a Idade Média foi um período de inovações políticas, realizações artísticas e mudanças sociais. Este livro retrata o modo de vida do homem da época, a construção de fortalezas e catedrais, os temores, a fome, a peste e outros aspectos que marcaram o período.
O conhecimento do complexo sistema imunológico humano, responsável direto por nossa saúde está entre os grandes avanços da ciência no século XX. Por dentro do sistema imunológico aborda os conceitos de saúde e doença, desenvolvendo temas como os mecanismos de defesa empregados pelo organismo para se defender dos micróbios invasores, os dois tipos de imunidade (a natural e a adquirida), as situações em que a medicina julga desejável coibir ou suprimir as defesas imunológicas (por exemplo, para evitar a rejeição de um órgão transplantado) etc.
Édipo Rei, de Sófocles, adaptado por Cecília Casas
Uma terrível maldição abate o reino de Tebas: fome, doenças e esterilidade dizimam os cidadãos. Tirésias, o cego adivinho, revela ao rei Édipo a causa de tantos males: o monarca monarca assassinara Laio, seu próprio pai, e unira-se incestuosamente com sua mãe, Jocasta.
A adolescente Valéria narra como contraiu o vírus HIV durante uma relação sem preservativo com o namorado e conta como convive com a doença. Uma leitura indispensável para a educação do adolescente.
Simplesmente Blue Amy Harman (...) Era uma vez um pequeno Melro-negro. Empurrado para fora do ninho, indesejado. Descartado. Então o falcão o encontrou e o levou para longe, deu a ele um lar e o ensinou a voar. Mas um dia o falcão não voltou para a casa, e o passarinho ficou sozinho de novo, desprezado. Ele queria voar para longe. Mas quando parou na beirada do ninho e olhou para o céu lá fora, percebeu que suas asas eram pequenas, fracas. O céu era muito grande, o céu era longe demais. Ele se sentia preso. Podia voar para longe, mas para onde iria? Blue Echohanwk não sabe quem ela é. Ela não sabe seu nome verdadeiro, sua data de nascimento e não frequentou a escola até os dez anos. Ela foi criada por Jimmy, um grande admirador de pássaros que entalhava madeira e ensinou esse dom a ela. Blue foi abandonada pela mãe quando tinha aproximadamente 2 anos e ele foi o único pai e família que ela conheceu. Quando Jimmy morreu, Blue ficou sozinha novamente, mas foi morar com sua “t...
Ao longe, uma sirene ecoou na noite, baixinha no início e depois mais alta. A ajuda estava chegando, embora ela soubesse que era muito tarde. No entanto, Becca saudou a sirene e o auxílio que traria. Não era mais para si que ela esperava a ajuda. A estudante de direito Becca Eckersley foi brutalmente assassinada em Summit Lake, uma pequena cidade entre as montanhas, com encantadoras casas dispostas a beira de um lago. Aparentemente, Becca não tinha inimigos, era linda, encantadora, gentil e despertava a atenção e o carinho de todos, era cheia de vida e tinha um futuro promissor. Seu assassinato deixou todos os habitantes da pequena cidade chocados, e embora muito curiosos, nada havia a não ser especulações e nenhuma pista relevante. Então logo a repórter Kelsey Casthe é mandada para investigar o caso sem solução. Kelsey, atraída pela história da bela moça começa a se profundar em suas amizades, sua vida amorosa e seus muitos segredos. A g...
O Diário de John Winchester conta a trajetória de Sam, Dean e John antes dele sumir em busca de uma pista sobre a morte de Mary. Mary morreu queimada no teto do quarto de Sammy no dia 2 de novembro de 1983, por uma força demoníaca sobrenatural. Após a tragédia, o pai deles decidiu aprender tudo o que podia sobre as criaturas malígnas para enfrentar o que matou sua esposa. O livro conta a história dos Winchester até 21 anos após a morte de Mary, mostrando os rituais e exorcismos aprendidos e as histórias de caças enfrentadas pelos três. (Ritual romano de exorcismo) O diário de John Winchester trás para os fãs tudo aquilo que sempre sonharam: além dos rituais de exorcismos e desenhos de ritos e amuletos mágicos conta também a história de Samuel Cout, a primeira caçada de Dean, a infância resumida dos dois e também conta as histórias de futebol infantil de Sam. O livro realmente se assemelha a um diário, como se tivesse recortes c...
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