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Para ler em voz alta*

"Eu nunca soube dizer não pra ninguém, mas por você aprendi a dizer não pra mim.
Eu disse não para o orgulho,
Todas as vezes que me feriu fundo demais e eu te perdoei;
Eu disse não para a mulher forte que meus pais criaram, mas ainda me camuflo pra que não vejam minha atual fragilidade;
Eu disse não para os meus sonhos de criança;
Eu disse não para o meu ideal;
Eu disse não a coragem e abracei o medo.
Abandonei o melhor de mim, tudo aquilo que me pertencia.
Me desconstrui por ti, logo por ti, que não me conhecia.

Eu disse sim para o teu sorriso torto;
( Fazem meses que não sorrio)
Eu disse sim para o teu calor;
( Fazem meses que me sinto fria)
Eu disse sim para ser tua companhia;
( Já fazem meses que durmo com a solidão)
Eu disse sim para arquitetar teus sonhos e futuro;
( Dos meus não sobrou pedra sob pedra)
Eu disse sim para fazer parte de ti;
( Nunca achei o que sobrou de mim)
Eu jurei lutar por nós;
( Todavia, a muito tempo desisti de mim)
Eu nunca soube dizer não;
Eu disse sim para quem não conhecia;
( Eu disse não para mim, que já nem conheço mais)

Eu nunca soube dizer não pra ti, mas descobri que teu sim era dolorido.
Eu disse sim para o orgulho, e a culpa me corroeu;
Eu tentei dizer sim para a mulher que fui, mas meus pais ja a tinham velado;
Eu me vi criança, mas tantos 'nãos' a fizeram desacreditada;
Eu criei um ideal, mas tu diria sim?
Não, claro que não!
De não em não, me construí falsa e perdida.
Um constante sorriso, feito carimbo que apenas pinta o mesmo.
O sim automático que me calou.
Um coração pesado e quebrado demais pra voltar.

Busco entre o que tu pintou de mim, fragmentos de um antigo eu.
Nas fotos, um museu de quem já fui:
'Um modelo para tantos, forte feito fortaleza'
Pule para o final, e veja o que restou!
Sim após sim, procure o não definitivo!
E se por acaso, você achar um pouco de mim nessas linhas;
Diga que peço desculpas, e não, não poderei visita-la para um café;
Afinal, não se deve falar com estranhos!"

Yasmin da Silva

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